Lei do menor esforço e custo na Coelba

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Para ampliar lucro, empresa encerra contrato com lotéricas e dificulta ainda mais pagamento de contas dos clientes

Se houver uma possibilidade de reduzir custo para ampliar o lucro, a Coelba se joga, nem que para isso a comodidade dos clientes vá para casa do chapéu. Sem querer ampliar os míseros centavos que pagava no contrato com as lotéricas, a companhia decidiu não renovar com a Caixa Econômica, o que resulta no fim dos pagamentos facilitado em todo estado.

Segunda a própria empresa, “a CEF apresentou um reajuste significativo no valor da tarifa por fatura arrecadada, e este aumento inviabilizou a manutenção do convênio de arrecadação”. A Coelba omite, entretanto, que o valor estava defasado há mais dez anos e, à época, já era extremamente pequeno o repasse quando foi firmado.

Bom para a Coelba ruim para os clientes – Apesar de informar que a empresa mantém pontos para quitação das contas em todos os municípios baianos, o repasse para estes postos também é muito pequeno e tem feito diversos estabelecimentos suspender o recebimento. Para a população mais carente, que não tem acesso a rede bancária, é um sofrimento conseguir pagar as contas. “Eu peço para o dono do mercado pagar, mas ele cobra R$ 5. Deixo de comprar o arroz e o feijão para pagar a conta, pois não tenho como pagar”, lamenta Francisca Santos, moradora do Distrito de Orojó, município de Camamu, no sul da Bahia.

Se a realidade do interior é ruim, a história não é diferente na região metropolitana de Salvador. Em Camaçari, onde a Coelba fechou dezenas de Postos de Atendimento, os moradores estão revoltados com a situação. “Eles fecharam os postos, agora acabaram com o pagamento nas lotéricas, mas a conta de luz só faz aumentar todo mês. Isso é uma esculhambação”, relata indignada Wanessa Camila, moradora de Camaçari, após tentar pagar a conta na agência da Coelba e não conseguir.

Importante lembrar que, além das dificuldades no pagamento, a agência da Coelba em Camaçari não oferece condições dignas para os clientes que precisam de atendimento. É comum presenciar pessoas expostas ao sol ou a chuva, sem nenhum amparo.

Agência terceirizadas fechadas 

Mas, se a situação já é ruim, tende a piorar. A Coelba está fechando os postos de atendimento terceirizado. Em Dias D’Ávila, a agência abrangia o atendimento de mais de 27 mil clientes, que agora sequer tem onde se relacionar com a Coelba. Desde a diminuição da rede, o atendimento já era precário, agora nem precário será, pois sequer vai existir.

A mesma situação vai ocorrer com o fechamento gradativo das agências terceirizadas em todo estado. Somente em junho foram fechadas as agências do SAC do Comércio, Uruguai e Cajazeiras. Em julho serão fechadas as agências de Itapetinga, Dias D´Ávila e Ipiaú. Ou seja, não tem como se relacionar com a Coelba. Para os consumidores de baixa renda, que não possuem acesso à internet a situação será um verdadeiro caos.

MP e ANEEL podem e devem intervir

O Sinergia vai informar à ANEEL e ao MP esta situação, solicitando ao mesmo tempo da agência e do Ministério Público uma a posição dos órgãos em relação aos prejuízos que a população terá com essa decisão da Coelba. “Não entendemos como os órgãos reguladores e o próprio Ministério Público aceitam este absurdo. Vamos questioná-los”, informou o coordenador geral do Sinergia, Paulo de Tarso.

Para uma empresa que visa o crescimento do lucro a qualquer custo, isso não é novidade. Quem paga o pato por essa ganância é a população que cada vez mais sofre com o péssimo serviço da Coelba.

Avalanche de reclamações 

Morador de Vitória da Conquista, no norte do Estado, Wesley Portugal afirma que faltam postos de recebimento na terceira maior cidade da Bahia. “Estamos enfrentando filas quilométricas. É inadmissível uma empresa como a Coelba causar um transtorno desses a população”, desabafou. No site Reclame Aqui, plataforma que reúne queixas de consumidores, a Coelba recebeu 1.333 reclamações no último ano. “Só que cobrar a energia cara e na hora de colocar pontos de comércio para pagar não coloca. Vamos ficar todos sem pagar energia”, reclamou Luana Santos, na página da empresa no Facebook.

Posto até tem, mas funciona?

Apesar de a Coelba garantir que as contas podem ser pagas em 730 pontos de serviço, na prática a situação não é bem assim. Na última terça-feira, na agência dos Correios do Campo Grande, o pagamento da conta de energia só estava sendo feito via cartão de correntistas do Banco do Brasil. Segundo um funcionário, a medida era para evitar a movimentação de dinheiro na agência por conta dos assaltos.

Estado e ALBA falam em reestatização

Se depender do presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Angelo Coronel (PSD), a Coelba volta para a gerência do Governo do Estado o quanto antes. “A ideia de querer estatizar a Coelba se deu pois, quando foi privatizada, a ideia era que a Coelba fizesse investimentos para melhorar o atendimento a população, mas aconteceu o inverso. A Coelba tem problemas sérios. Tenho dialogado com o governador Rui Costa (PT), sei que teremos problemas de caixa, estamos vendo qual a equação”, explicou.

De acordo com o superintendente da Procuradoria de Proteção e Defesa do Consumidor da Bahia (Procon-BA), Filipe Vieira, a Coelba pode ser punida por não oferecer um serviço de qualidade. “Pode ser objeto de cobrança de uma multa”, adiantou.

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